O fenômeno climático El Niño foi oficialmente confirmado nesta quinta-feira (11) e passa a ser acompanhado de forma mais intensa pelos órgãos de monitoramento em Santa Catarina. A confirmação foi divulgada pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), após a constatação do aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial em níveis compatíveis com o fenômeno.
Segundo os dados divulgados, a temperatura da superfície do mar ultrapassou a marca de 0,5°C acima da média, acompanhada por alterações atmosféricas características do El Niño. As projeções apontam uma possibilidade de 63% de o evento atingir intensidade muito forte entre o fim de 2026 e o início de 2027, cenário que poderá colocá-lo entre os mais significativos das últimas décadas.
Embora o fenômeno já esteja estabelecido, especialistas da Defesa Civil de Santa Catarina ressaltam que ainda não é possível determinar com precisão os impactos que serão registrados no estado. A tendência é que os reflexos se tornem mais evidentes nos próximos meses, especialmente durante a primavera.
Historicamente, o El Niño está associado ao aumento das chuvas na região Sul do país. Em Santa Catarina, esse comportamento costuma elevar o risco de ocorrências como enxurradas, alagamentos, inundações e deslizamentos de terra. A intensidade dos efeitos, no entanto, varia conforme as condições meteorológicas de cada período e as características de cada região.
Os maiores impactos normalmente são observados entre setembro e novembro. No episódio mais recente, iniciado em 2023, diversas cidades catarinenses registraram volumes expressivos de chuva, enquanto eventos extremos também causaram grandes transtornos no Rio Grande do Sul ao longo de 2024.
As previsões indicam que o fenômeno deverá se fortalecer gradualmente nos próximos meses, alcançando seu auge entre a primavera e o verão. A expectativa dos órgãos de monitoramento é de que seus efeitos possam se prolongar até o outono de 2027.
Diante desse cenário, o Governo de Santa Catarina vem adotando medidas preventivas. Em maio, foi decretado estado de alerta climático, permitindo o planejamento antecipado de ações, mobilização de equipes e preparação de equipamentos para eventuais situações de emergência.
Na próxima segunda-feira (15), a Defesa Civil Estadual reunirá o Comitê de Gestão de Crises para alinhar estratégias relacionadas ao monitoramento, logística, resposta a desastres e assistência à população.
Paralelamente, a Operação Primavera 2026 está mobilizando os 295 municípios catarinenses. Entre as ações previstas estão a limpeza de córregos e sistemas de drenagem, inspeções em áreas de risco, simulados de evacuação, desassoreamento de rios e revisão dos planos de contingência.
Atualmente, o estado conta com uma estrutura de monitoramento formada por 172 estações hidrometeorológicas, quatro radares meteorológicos e equipes especializadas que acompanham as condições do tempo de forma permanente. Os alertas são disponibilizados à população por meio de SMS, WhatsApp e do sistema Defesa Civil Alerta.
A orientação é para que os moradores acompanhem os comunicados oficiais e sigam as recomendações dos órgãos de proteção sempre que houver previsão de eventos climáticos severos. Em situações de emergência, a Defesa Civil pode ser acionada pelo telefone 199.














