O Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), que completou 70 anos, é apontado pela ONU como um dos maiores e melhores do mundo. Criado para garantir refeições diárias a estudantes da educação básica, o programa ganhou destaque a partir de 2009, quando uma lei transformou a merenda em alimentação completa, elaborada por nutricionistas, com foco na cultura local e no fortalecimento da agricultura familiar. Hoje, atende cerca de 40 milhões de alunos e é considerado fundamental no combate à fome e na promoção de hábitos saudáveis.
O Pnae também impulsiona a economia. Levantamento do Observatório da Alimentação Escolar mostra que cada R$ 1 investido gera até R$ 1,66 no PIB da pecuária e R$ 1,52 na agricultura. Atualmente, ao menos 30% dos alimentos vêm da agricultura familiar — percentual que pode subir para 45% a partir de 2026. Para pequenos produtores, o programa é um dos principais canais de escoamento da produção.
Apesar do reconhecimento internacional e da cooperação com países como São Tomé e Príncipe, o programa enfrenta dificuldades. Em 2025, o orçamento foi de R$ 5,5 bilhões, com repasses que variaram de R$ 0,41 por estudante do EJA a R$ 1,37 para creches e ensino integral. Segundo nutricionistas, problemas como falta de estrutura, orçamento limitado, ausência de profissionais e resistência da comunidade escolar ainda comprometem a execução. Especialistas defendem que o Pnae seja visto não como simples “merenda”, mas como uma política pedagógica e de saúde pública.
















