Era por volta das 7h de um sábado, 21 de junho de 2025, quando um balão com 21 pessoas a bordo decolou em Praia Grande (SC). Logo no início do passeio, a estrutura despencou após pegar fogo, resultando na morte de oito pessoas. Dessas, quatro se jogaram e outras quatro morreram carbonizadas.
Um ano depois do desastre, considerado a maior tragédia do balonismo brasileiro, ainda não há culpados, e as famílias seguem em busca de justiça. O caso é investigado pela Polícia Civil em um processo que corre em sigilo. Segundo as investigações, o extintor que estava dentro do cesto do balão não funcionou. O balão começou a descer e, quando estava perto do solo, os sobreviventes pularam; entre eles, o piloto.
Por estar mais leve, a estrutura voltou a subir. Quatro das vítimas pularam de uma altura de cerca de 45 metros e morreram. As chamas aumentaram e o cesto, com outros quatro passageiros, despencou. Eles morreram carbonizados. Os bombeiros enviaram o primeiro relatório sobre a queda às 8h18.
Como está a investigação um ano depois?
A primeira investigação sobre a tragédia havia sido concluída em outubro de 2025, após a polícia ouvir mais de 20 pessoas. Conforme a apuração, o conjunto de provas “não encontrou a existência de conduta humana dolosa ou culposa que tenha dado causa ao incêndio em voo”.
O inquérito, no entanto, foi reaberto em novembro, um mês após a delegacia anterior encerrar a investigação sem apontar culpados. A retomada aconteceu um dia após a exoneração do delegado de Santa Rosa do Sul que conduzia o caso. Com a troca, o delegado André Coltro assumiu a delegacia do município e passou a comandar a nova fase da apuração.
Em nota, o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) informou que os procedimentos relacionados à queda do balão em Praia Grande seguem em andamento e tramitam sob segredo de Justiça, por determinação judicial, o que impede a divulgação de informações detalhadas sobre as investigações.
O órgão informou que também há análises relacionadas à proteção dos direitos dos consumidores e às consequências decorrentes do fato na esfera cível. Além disso, um procedimento tramita no âmbito do Ministério Público Federal (MPF). A Polícia Civil informou que não irá comentar o caso, visto que ele segue em segredo de Justiça.
O advogado Rafael Medeiros, que representa a família de Leando Luzzi, uma das vítimas do acidente, revelou que o inquérito policial aguarda atualmente a realização de uma reconstituição do acidente.
O procedimento, de acordo com ele, será conduzido pela Polícia Científica e por peritos criminais, e contará também com a participação de peritos e assistentes técnicos indicados pelas próprias famílias. Ainda não há uma data para que isso aconteça.
Treze pessoas sobreviveram, incluindo o engenheiro Victor Hugo Mondini Correa e a médica veterinária Laís Campos Paes. O casal de Curitibanos, no Oeste de Santa Catarina, conseguiu saltar da estrutura em chamas e caiu em uma área de vegetação que amorteceu o impacto.


















