A neuropsicopedagoga Gisele Szemansqui participou do Jornal da Nativa na manhã desta quarta-feira (24) para falar sobre a atuação clínica da neuropsicopedagogia e os sinais que podem indicar dificuldades no processo de aprendizagem das crianças.
Com 30 anos de trajetória na educação e atualmente atuando na área clínica, Gisele explicou que o trabalho da neuropsicopedagoga não é o mesmo de uma aula de reforço. Segundo ela, enquanto o reforço escolar trabalha o conteúdo que a criança não conseguiu aprender, a neuropsicopedagogia busca identificar os motivos pelos quais essa aprendizagem não está acontecendo.
A profissional destacou que o atendimento trabalha funções executivas importantes para o desenvolvimento, como concentração, controle de impulsos, planejamento e organização. Conforme Gisele, quando essas funções estão comprometidas, a criança pode apresentar dificuldade para aprender, não por falta de vontade ou preguiça, mas porque o cérebro ainda não dispõe das ferramentas necessárias para que o aprendizado aconteça de forma adequada.
Durante a entrevista, Gisele também orientou os pais sobre o momento de buscar ajuda. Ela explicou que não existe uma idade exata, mas alguns sinais precisam de atenção. Na educação infantil, dificuldades de oralidade, expressão, identificação de cores, rimas e melodias podem indicar possíveis obstáculos futuros na alfabetização.
Já no primeiro ano, segundo a neuropsicopedagoga, a criança deve conseguir ler e escrever palavras simples, além de identificar números e realizar contagens básicas. No terceiro ano, a leitura e a escrita já devem estar mais desenvolvidas, embora erros ortográficos ainda possam ocorrer. Trocas persistentes de letras, como P por B, T por D, M por N e V por F, também podem servir de alerta quando a alfabetização já deveria estar consolidada.
Outro ponto abordado foi a diferença entre dificuldade de aprendizagem e transtornos. Gisele explicou que dificuldades podem surgir por fatores externos, como separação dos pais, mudança de escola, nascimento de um irmão ou problemas de visão. Já transtornos, como TDAH, hiperatividade, desatenção ou deficiência intelectual, têm origem neurobiológica e exigem acompanhamento adequado.
A profissional relatou que, atualmente, as maiores demandas no consultório envolvem crianças com TDAH e dificuldades no processo de alfabetização. Ela também atende casos de altas habilidades, quando a criança apresenta desempenho acima da média em determinadas áreas, mas pode enfrentar sofrimento em outros aspectos por não se sentir estimulada ou compreendida no ambiente escolar.
Sobre o uso de medicação, Gisele reforçou que a prescrição cabe a médicos especialistas, como neurologistas e psiquiatras. No entanto, afirmou que compreende a importância do tratamento medicamentoso em determinados casos, principalmente quando a criança precisa de auxílio para regular a atenção, os impulsos e o comportamento. Ela alertou ainda que a medicação não deve ser interrompida por conta própria, sendo necessário acompanhamento profissional para ajustes ou suspensão.
A neuropsicopedagoga também ressaltou o papel fundamental da família no desenvolvimento da criança. Segundo ela, nenhum profissional consegue atuar sozinho. Rotina adequada, horários definidos para dormir, estudar e se alimentar, redução do uso de telas antes do sono e apoio nas atividades escolares são medidas que ajudam diretamente no avanço da criança.
Gisele destacou ainda que comportamentos como choro, irritação ou recusa constante na hora de fazer tarefas escolares não devem ser vistos automaticamente como “preguiça” ou “frescura”. Para ela, esses sinais podem indicar que a criança está tentando fugir de uma atividade que está além do que consegue realizar naquele momento.
A escola também tem papel essencial na identificação das dificuldades. Conforme a profissional, quando a instituição oferece reforço, professor auxiliar ou atividades adaptadas e, mesmo assim, a criança não apresenta avanços após um bimestre, é importante orientar a família a buscar avaliação especializada.
O atendimento neuropsicopedagógico, segundo Gisele, envolve avaliação inicial, identificação dos déficits e potencialidades da criança, elaboração de relatório para a família e intervenções direcionadas. A profissional também mantém contato com escolas, psicólogos, neurologistas e demais especialistas envolvidos no acompanhamento, formando uma rede de apoio ao desenvolvimento infantil.
Gisele atende em novo espaço localizado na Rua Nereu Ramos, nº 705, ao lado da Art Kin, em Capinzal. O contato pode ser feito pelo WhatsApp (49) 99956-0755 ou pelo Instagram @gisele.neuropsicopedagogia. A profissional informou que realiza uma primeira conversa gratuita com os pais para compreender a situação da criança e apresentar o trabalho.


















