O consumo de bebidas energéticas, cada vez mais comum entre jovens e adultos, acende um alerta para possíveis impactos à saúde cardiovascular e neurológica. Em entrevista à reportagem da Nativa FM, o médico do Hospital Nossa Senhora das Dores, Cícero Batista, chamou a atenção para os efeitos desses produtos no organismo.
Segundo o médico, apesar do nome, os energéticos não fornecem energia ao corpo humano do ponto de vista fisiológico. A energia biológica, conforme explicou, vem dos macronutrientes presentes na alimentação. O que as bebidas energéticas provocam é uma estimulação química do sistema nervoso central.
“Eles não eliminam a fadiga, apenas bloqueiam temporariamente a percepção de cansaço do cérebro, mascarando um sinal vital de que o corpo necessita de repouso”, destacou Cícero Batista.
As fórmulas, geralmente, incluem cafeína, taurina, guaraná, grandes quantidades de açúcar e outras substâncias estimulantes. Conforme o médico, uma lata de energético pode conter o equivalente a uma xícara de café em cafeína. Por isso, pessoas que consomem mais de uma unidade por dia acabam submetendo o corpo a uma alta carga de estimulantes.
Do ponto de vista cardiovascular, esse consumo pode representar sobrecarga ao organismo. Entre os efeitos possíveis estão vasoconstrição, aumento da pressão arterial e elevação da frequência cardíaca. O médico ressalta que esses sintomas não atingem apenas pessoas idosas ou com histórico de doenças cardíacas.
“Mesmo pessoas jovens, sem doenças conhecidas e aparentemente saudáveis, podem apresentar sintomas com o uso de bebidas energéticas”, alertou.
Além dos reflexos no coração, o consumo excessivo também pode afetar o sistema neurológico, causando tremores, dor de cabeça, insônia e crises de ansiedade. O uso contínuo pode gerar tolerância e dependência, criando um ciclo em que a pessoa passa a necessitar de doses cada vez maiores para manter o estado de alerta.
Outro ponto de preocupação é a mistura de energéticos com bebidas alcoólicas. De acordo com Cícero Batista, a cafeína pode alterar a percepção de embriaguez, criando uma falsa sensação de sobriedade. Isso pode levar ao consumo maior de álcool e aumentar a exposição a situações de risco, incluindo intoxicações e acidentes de trânsito.
O médico reforça que o cansaço é um mecanismo de defesa do corpo e não deve ser ignorado. Para ele, a solução para a fadiga não está na estimulação artificial, mas em hábitos saudáveis, como sono reparador, hidratação adequada e alimentação equilibrada.
Cícero Batista orienta que pessoas que utilizam energéticos diariamente para cumprir rotinas de trabalho ou estudo reavaliem os hábitos e procurem acompanhamento médico para investigar as causas reais do cansaço.
“A saúde cardiovascular e neurológica não admite abusos. Devemos cuidar do nosso corpo com responsabilidade”, finalizou.














