A tireoide, glândula localizada na região anterior do pescoço, exerce papel fundamental no funcionamento do organismo. Conforme explica a médica da Secretaria da Saúde de Capinzal, Mariana Baretta Savaris, ela é responsável pela produção dos hormônios T3 e T4, que atuam diretamente na regulação do metabolismo.
De acordo com a médica, esses hormônios influenciam diversas funções do corpo, como frequência cardíaca, temperatura corporal, controle de peso, disposição física e mental. Quando há alteração na produção hormonal, duas condições principais podem ocorrer: o hipotireoidismo e o hipertireoidismo.
O hipotireoidismo acontece quando a tireoide produz hormônios em quantidade insuficiente para atender às necessidades do organismo. Entre os principais sintomas estão cansaço excessivo, sonolência, ganho de peso, intolerância ao frio, pele seca e queda de cabelo.
Já o hipertireoidismo ocorre quando há produção excessiva desses hormônios, provocando aceleração do metabolismo. Nesses casos, os sintomas mais comuns incluem perda de peso, palpitações, tremores, insônia, sudorese excessiva, ansiedade, irritabilidade e intolerância ao calor.
Mariana explica que os exames mais utilizados para avaliar a tireoide são o TSH, considerado o principal exame de rastreamento, e o T4 livre, que complementa a investigação. Também podem ser solicitados anticorpos antitireoidianos, como anti-TPO e anti-tiroglobulina, especialmente quando há suspeita de doenças autoimunes.
A ultrassonografia da tireoide, segundo a médica, é indicada em situações específicas, como presença de nódulos, aumento da glândula ou alterações identificadas durante o exame físico. Ela destaca que não existe recomendação para a realização rotineira de exames em toda a população, já que a frequência depende da idade, dos sintomas, dos fatores de risco e do histórico pessoal ou familiar.
A avaliação médica é recomendada quando a pessoa apresenta sintomas relacionados a alterações hormonais, presença de nódulos ou aumento na região do pescoço, histórico familiar de doenças da tireoide, alterações inexplicadas de peso, mudanças menstruais, palpitações ou tremores.
Sobre a prevenção, Mariana reforça a importância de manter hábitos saudáveis, como alimentação equilibrada, não fumar, evitar o uso excessivo de suplementos e realizar acompanhamento médico quando houver fatores de risco ou necessidade de exames de rotina. Ela lembra, porém, que nem todas as doenças da tireoide podem ser prevenidas, pois muitas têm origem genética ou autoimune.
Quando não tratadas, as alterações na tireoide podem causar complicações importantes. No caso do hipotireoidismo, podem ocorrer aumento do colesterol, maior risco cardiovascular, infertilidade, complicações na gestação e comprometimento cognitivo. Já o hipertireoidismo pode levar a arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca, osteoporose, perda importante de massa muscular e, em casos raros e graves, à crise tireotóxica, condição que pode ser fatal.
O tratamento varia conforme o diagnóstico. No hipotireoidismo, geralmente é feita reposição hormonal com levotiroxina. No hipertireoidismo, podem ser utilizados medicamentos antitireoidianos. Já no caso dos nódulos, a conduta depende das características identificadas, podendo envolver acompanhamento, punção, biópsia e, em alguns casos, cirurgia.














