A Câmara de Vereadores de Capinzal recebe nesta quinta-feira, 5 de fevereiro, a partir das 9h, o júri popular de um homem identificado pelas iniciais V.A., denunciado por tentativa de homicídio contra dois homens. O caso remete a um episódio ocorrido no dia 9 de junho de 2024, no pátio de um posto de combustíveis localizado no bairro São Cristóvão.
De acordo com os autos, os fatos tiveram origem após uma confusão envolvendo duas mulheres durante um evento no município de Ouro. Horas depois, uma das vítimas teria recebido uma ligação solicitando que se deslocasse até o local onde o crime acabou ocorrendo.
Durante o confronto, J.F. foi atingido por três disparos de arma de fogo, sendo um na região do rosto, outro no abdômen e um terceiro no braço. Ele foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros, encaminhado ao Hospital Nossa Senhora das Dores, em Capinzal, onde precisou ser entubado, e posteriormente transferido para o Hospital Universitário Santa Terezinha, em Joaçaba.
A segunda vítima, um homem de 30 anos, que se encontrava nas proximidades, foi atingida por um disparo na perna direita. Consciente e orientado, ele foi socorrido pela esposa e levado ao hospital, sendo posteriormente transferido para Joaçaba após avaliação médica.
O julgamento será conduzido pela juíza Carolina Fernandes Nascimento de Oliveira. A acusação ficará a cargo do promotor de Justiça Felipe de Oliveira Neiva, enquanto a defesa será representada pelo advogado Marco Antonio Vasconcelos Alencar Junior.
Defesa sustenta reação diante de ameaça e aposta em absolvição
Em entrevista exclusiva à reportagem da Nativa FM, o advogado de defesa Marco Antonio Vasconcelos Alencar Junior afirmou que a expectativa é positiva e que o julgamento deverá demonstrar que o réu, sem qualquer antecedente criminal, acabou envolvido em uma situação extrema ao tentar apartar uma briga.
Segundo a defesa, o acusado foi agredido, perdeu o controle emocional e acabou efetuando os disparos em um momento de desespero, não havendo intenção prévia de matar. O advogado sustenta que o conjunto probatório não confirma a versão apresentada pela vítima, que tenta se colocar como parte passiva dos fatos.
Ainda conforme a defesa, há elementos que indicam que a suposta vítima estava armada com uma faca e se dirigiu ao encontro do confronto, buscando o embate. A tese apresentada é de que o réu agiu amparado pela legislação vigente diante de uma ameaça real e iminente.
O advogado também questionou a possibilidade de acerto de contas, destacando que o réu nunca teve qualquer envolvimento com ocorrências policiais, enquanto a vítima já esteve ligada a outro episódio grave no passado, relacionado à morte de um homem em 2015. A defesa sustenta que a presença da vítima em situações de violência é recorrente.
Outro ponto levantado foi a existência de mensagens enviadas pela suposta vítima ao irmão do réu, contendo ameaças diretas. A defesa afirma que, no dia dos fatos, a vítima estaria com uma faca escondida e teria a intenção de atacar, reforçando a tese de que o réu agiu sob risco iminente.
Por fim, o advogado ressaltou a intensa dedicação da equipe de defesa, com longas jornadas diárias de trabalho, para assegurar que os jurados tenham acesso a todos os elementos necessários para a formação de seu convencimento.
O júri deve se estender ao longo do dia, com a oitiva de testemunhas, debates entre acusação e defesa e, ao final, a decisão do Conselho de Sentença.

















