O consumo de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes ou pods, aumentou de forma acelerada nos últimos anos no Brasil. De acordo com a Pesquisa Nacional de Saúde, em 2018 cerca de 500 mil pessoas relataram ter usado o dispositivo. Em 2024, o número subiu para mais de 3 milhões. A maior parte dos usuários está na faixa de 18 a 24 anos.
A pneumologista Maria Vera Castellano, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, alerta que o cigarro eletrônico contém altas doses de nicotina, substância altamente viciante. O uso frequente pode levar à dependência em poucas semanas. Além disso, estudos já apontam associação com doenças respiratórias, cardiovasculares e reprodutivas, muitas vezes aparecendo mais cedo do que em fumantes de cigarro convencional.
Segundo a especialista, um dos fatores que tornam o vape atrativo é a variedade de sabores, cores e embalagens chamativas, estratégias usadas pelas mesmas indústrias que produziram o cigarro comum. Outro problema é a falsa percepção de segurança: muitos jovens acreditam que o dispositivo causa menos danos, mas pesquisas já mostram que os impactos à saúde são graves e, em alguns casos, irreversíveis.
Apesar da proibição da venda, importação e propaganda pela Anvisa desde 2009, os aparelhos continuam circulando no mercado brasileiro, principalmente de forma ilegal. Castellano defende ações de conscientização em escolas, campanhas em redes sociais e reforço na fiscalização para coibir a comercialização.
O SUS oferece tratamento gratuito para quem deseja parar de fumar, incluindo apoio psicológico, grupos de acompanhamento e medicamentos. A especialista reforça que buscar ajuda profissional é fundamental para vencer a dependência.
















