Com a chegada definitiva do inverno e a queda nas temperaturas, agricultores da região precisam redobrar a atenção com os impactos do frio nas lavouras, pastagens e frutíferas. O alerta é do extensionista rural da Epagri de Ouro, Cleiton Lazzari, em entrevista à reportagem da Nativa FM.
Segundo ele, muitas culturas cultivadas no Sul do país são adaptadas ao clima frio e, em alguns casos, dependem das baixas temperaturas para o bom desenvolvimento. É o caso do trigo, uma das culturas mais comuns neste período.
Cleiton explica que, enquanto está na fase vegetativa, o trigo costuma apresentar boa resistência ao frio. No entanto, quando a planta entra no estádio reprodutivo, a ocorrência de geadas pode provocar danos severos.
“Por isso é importante observar o zoneamento climático e plantar o trigo no momento recomendado para a região, aumentando as chances de a lavoura escapar de uma geada tardia”, destacou.
As frutíferas de clima temperado, como pêssego, frutas de caroço e uva, também são adaptadas ao frio. No caso da uva, por exemplo, o período de dormência exige baixas temperaturas. O problema ocorre quando a planta já iniciou a brotação. A partir desse momento, geadas podem comprometer folhas, flores e a produção.
O extensionista lembra que existem técnicas para reduzir danos, como sistemas de irrigação por gotejamento ou aspersão, utilizados para proteger o parreiral em situações de geada. No entanto, ele reforça que cada caso deve ser avaliado com o apoio de um engenheiro agrônomo ou técnico agrícola.
“Além dessa técnica, existem outras alternativas que podem ser utilizadas para evitar danos mais severos às frutíferas”, orientou.
No caso de culturas mais sensíveis, como a bananeira, o cuidado precisa ser ainda maior. Cleiton explica que a planta não tolera bem o frio e pode sofrer danos significativos. Para tentar proteger cachos ou inflorescências, uma alternativa é o ensacamento, embora a medida não elimine totalmente os riscos.
As pastagens de inverno, como a aveia, também são relativamente resistentes às baixas temperaturas. Mesmo assim, geadas mais fortes podem provocar a chamada “queima” da planta, reduzindo temporariamente a oferta de alimento para os animais.
Quando isso ocorre, a pastagem tende a rebrotar caso a planta não seja totalmente comprometida. Porém, durante esse intervalo, o produtor pode precisar suplementar os animais no cocho.
Outro ponto de atenção é o milho. Por ser uma cultura de verão, o milho é bastante suscetível ao frio e à geada. Cleiton reforça que o plantio deve respeitar o zoneamento climático e o período adequado de implantação da lavoura.
“Quando o agricultor tenta fazer uma safrinha fora do zoneamento, corre um risco muito grande de pegar geada. Por isso, é fundamental respeitar o período recomendado para o plantio”, alertou.
A orientação da Epagri é que os produtores acompanhem as previsões do tempo e busquem assistência técnica sempre que houver risco de geada, especialmente em lavouras em fases mais sensíveis e em culturas com maior vulnerabilidade ao frio.


















