Celebrado no dia 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente chama a atenção para a importância da preservação dos recursos naturais e para a necessidade de ações permanentes voltadas à sustentabilidade. Em Capinzal, a reportagem da Nativa FM conversou com Maira Dalavequia, bióloga formada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mestre em Engenharia Ambiental e analista ambiental na Ambiverse Desenvolver Engenharia e Meio Ambiente.
Durante a entrevista, Maira destacou que os impactos ambientais são sentidos diretamente pela população em situações como falta de água, enchentes, diminuição da qualidade dos rios e aumento dos custos para tratamento de água e resíduos. Segundo ela, conciliar desenvolvimento econômico e preservação ambiental é um desafio, mas atualmente existem mais conhecimento, tecnologia e ferramentas disponíveis do que em décadas passadas.
“O problema não é a falta de solução, mas muitas vezes a dificuldade de colocá-las em prática de forma consciente”, afirmou.
A bióloga ressaltou que a região conta com instituições que desempenham papel importante na orientação técnica e no desenvolvimento de soluções sustentáveis. Na agricultura, citou a Epagri, que auxilia produtores com técnicas de conservação do solo, uso racional da água e aumento da produtividade de forma sustentável. Na gestão dos recursos hídricos, mencionou entidades como o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio do Peixe, além de instituições ligadas ao saneamento, abastecimento e proteção da água.
Maira também destacou a atuação de universidades, centros de pesquisa e instituições como a Embrapa, que desenvolvem tecnologias capazes de reduzir impactos ambientais sem comprometer a produção. Para ela, no entanto, essas alternativas só alcançam todo o seu potencial quando a sociedade valoriza o conhecimento técnico e científico.
“As decisões relacionadas ao meio ambiente precisam ser baseadas em evidências, monitoramentos e estudos de longo prazo, não apenas em preocupações individuais ou interesses momentâneos”, pontuou.
Conforme a especialista, o desenvolvimento sustentável acontece quando produção, geração de renda, conservação ambiental e conhecimento técnico caminham juntos. Ela defende que ciência, produtores, empresas, poder público e comunidade precisam atuar na mesma direção para que a economia cresça, os recursos naturais sejam preservados e a qualidade de vida seja melhorada.
“O nosso maior desafio não é descobrir o que precisa ser feito. Em grande parte dos casos, nós já sabemos. O desafio é transformar conhecimento em ação, em prática permanente”, destacou.
Neste Dia Mundial do Meio Ambiente, Maira deixou como principal mensagem a necessidade de cada pessoa compreender que também faz parte da solução. Segundo ela, o meio ambiente não é algo distante, mas está presente na água consumida, nos alimentos produzidos, no ar respirado e na paisagem que cerca as comunidades.
A bióloga orienta que a população observe melhor o lugar onde vive, conheça os rios, nascentes, áreas verdes e os principais desafios ambientais de sua comunidade. Ela também reforça a importância de acompanhar o trabalho das instituições de pesquisa, universidades, órgãos ambientais e entidades técnicas, para que a sociedade possa cobrar investimentos em saneamento, tratamento de esgoto, gestão adequada dos resíduos, recuperação de áreas degradadas, proteção das nascentes e ampliação das áreas verdes.
“Nós precisamos de municípios mais arborizados, rios mais protegidos e sistemas de saneamento mais eficientes. Isso significa qualidade de vida”, afirmou.
No meio rural, Maira destacou que as matas ciliares precisam continuar sendo preservadas e recuperadas, já que exercem papel essencial na proteção da água e na redução dos impactos das atividades produtivas. Para ela, produção e conservação devem caminhar juntas.
“A natureza não é um obstáculo ao nosso bem-estar. Ela é uma das principais condições para o nosso bem-estar”, reforçou.
Ao finalizar, a especialista destacou que pequenas atitudes também fazem diferença e que a aproximação com a natureza é fundamental para garantir cidades mais agradáveis, água de melhor qualidade, menos problemas com enchentes e secas e melhores condições de vida para as atuais e futuras gerações.
“Cuidar do meio ambiente não é apenas proteger a natureza. É cuidar da nossa própria qualidade de vida, para hoje e para as próximas gerações”, concluiu.















