Na quarta-feira, dia 3 de junho, foi celebrado o Dia da Conscientização contra a Obesidade Mórbida Infantil. A data busca conscientizar famílias, escolas e a sociedade sobre a importância da prevenção, do diagnóstico e do acompanhamento adequado de crianças que enfrentam o excesso de peso.
Em entrevista à Nativa FM, o médico Cícero Batista, do Hospital Nossa Senhora das Dores, destacou que o tema não deve ser tratado como uma questão estética, de padrão de beleza ou aparência, mas sim como um assunto de saúde pública.
Segundo ele, a obesidade infantil não pode ser encarada como uma fase e, principalmente, não deve ser atribuída como culpa da criança. A medicina reconhece a obesidade como uma doença crônica, complexa e multifatorial. Quando ela se manifesta ainda na infância, pode abrir portas para problemas precoces, como diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no colesterol, dores articulares, esteatose hepática, que é o acúmulo de gordura no fígado, além de possíveis impactos emocionais, como baixa autoestima.
Cícero também explicou que, em alguns casos, o excesso de peso pode provocar aumento da resistência à insulina, apneia do sono, antecipação da puberdade e limitações para atividades simples da infância, como correr, brincar e se movimentar com liberdade.
Uma das orientações reforçadas pelo médico é que o diagnóstico não deve ser feito apenas pela observação visual. A avaliação mais segura ocorre por meio da curva de crescimento, registrada na carteira de vacinação, onde o pediatra acompanha o Índice de Massa Corporal, o IMC, de acordo com a idade e o sexo da criança.
Além disso, alguns sinais podem indicar que o metabolismo da criança já está sendo afetado. Entre eles estão o cansaço excessivo ao brincar, roncos durante o sono e manchas escuras ou avermelhadas no pescoço e nas axilas. Diante desses sintomas, a recomendação é buscar avaliação médica ou acompanhamento com o pediatra de confiança.
Durante a entrevista, Cícero Batista ressaltou que a obesidade infantil também precisa ser compreendida a partir do ambiente em que as crianças estão inseridas. Ele lembrou que muitos alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, sódio e gordura, são apresentados desde cedo às crianças, enquanto o espaço para brincar e se movimentar tem diminuído. As telas, muitas vezes, acabam substituindo as praças, as ruas e as atividades físicas naturais da infância.
Para o médico, a responsabilidade é compartilhada. O poder público deve garantir políticas de alimentação escolar e espaços seguros de lazer. As escolas precisam reforçar a educação em saúde. A sociedade deve cobrar práticas mais transparentes da indústria alimentícia. Já as famílias têm papel essencial na orientação, na rotina alimentar e na criação de limites saudáveis.
Apesar dos desafios, pequenas atitudes diárias podem fazer diferença. Entre elas estão o retorno à chamada comida de verdade, como arroz, feijão, frutas, legumes e alimentos preparados em casa, além do hábito de reunir a família à mesa, sem celulares, transformando o momento da refeição também em um espaço de convivência e exemplo.
Outro ponto destacado foi a importância do movimento. Incentivar a criança a correr, pular, dançar, brincar e praticar atividades físicas é uma forma de mostrar que o corpo precisa se movimentar para crescer com saúde.
Cícero Batista também chamou atenção para o acolhimento. Segundo ele, uma criança com obesidade não precisa de críticas, piadas ou constrangimento, mas de apoio, cuidado e oportunidades reais para melhorar a saúde.
A mensagem central da data é que o combate à obesidade mórbida infantil não deve ter como foco a estética, mas a construção de uma vida com mais disposição, autonomia, bem-estar e saúde para as crianças.















