A reportagem da Nativa FM foi procurada pelo escritório Bundchenn Advogados, de Joaçaba, com o objetivo de apresentar a percepção da defesa sobre o caso da morte da capinzalense Sarah Held, ocorrida no dia 12 de dezembro de 2025, na SC-150, na comunidade de Caraguatá, interior de Joaçaba.
Diante disso, e primando pelo exercício do jornalismo, a equipe entrevistou nesta quarta-feira (4) os advogados Rai Pelisser Moreira e Rhilary Ester Costiche, que atuam na defesa de Pedro Gabriel Callai Susin, motorista do veículo em que a vítima estava, denunciado pelo Ministério Público através dos crimes de homicídio doloso qualificado, tentativa de homício qualificado e embriaguez ao volante.
Rai explicou que algumas informações inverídicas podem ter chegado à população. Ele afirmou que a defesa se solidariza com a família diante da tragédia, porém ressaltou que isso não torna o acusado culpado, considerando o princípio da presunção de inocência, já que, segundo ele, até o momento não existem elementos que comprovem a responsabilidade do cliente. O advogado também destacou que Pedro, assim que recebeu alta hospitalar, compareceu espontaneamente à Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos, além de cumprir as medidas cautelares determinadas.
Rhilary, ao ser questionada sobre a possível participação de um caminhão no caso, explicou que, após o recebimento do laudo pericial do local do acidente, foi identificada a presença de um rastro anterior à posição do crânio da vítima, o que poderia indicar a passagem de um veículo pesado pelo local. Segundo a advogada, o laudo cadavérico aponta que o corpo de Sarah não apresentava lesões graves além da região do crânio e da face. Dessa forma, a defesa levanta a hipótese de que um caminhão possa ter sido o responsável pela morte.
Indagada sobre a identificação do possível caminhão e de seu motorista, a advogada afirmou que a Polícia Civil realiza diligências para tentar identificar o veículo. No entanto, segundo ela, as imagens de videomonitoramento disponíveis até o momento não permitem determinar qual caminhão teria se envolvido no acidente. A defesa também informou que pretende apresentar requerimentos para auxiliar na identificação do possível envolvido.
Questionado sobre a conduta de Pedro e se ele teria responsabilidade direta pelo acidente que resultou na morte da jovem, Rai destacou que caberá ao processo criminal apurar eventuais responsabilidades. O advogado mencionou que ainda será analisado se alguma conduta do motorista — como uma possível ultrapassagem em local proibido — pode ter contribuído para a ocorrência. Ele acrescentou que, na visão da defesa, Sarah poderia ter retornado em outro veículo e a tragédia ainda assim ter ocorrido.
Rai também comentou sobre um vídeo que circulou nas redes sociais, no qual Pedro aparece realizando ultrapassagens em locais proibidos. Segundo o advogado, as imagens não correspondem ao momento do acidente, mas a registros anteriores, feitos em outras localidades. Ele acrescentou que, de acordo com uma perícia, a velocidade do veículo no momento do fato seria compatível com a via. Em relação à suspeita de embriaguez, afirmou que não houve constatação definitiva nos laudos periciais. Ainda conforme a defesa, embora tenha havido consumo de bebida alcoólica em um evento anterior ao acidente, o tempo transcorrido poderia ter sido suficiente para a dissipação do efeito.
A advogada também falou sobre o estado de saúde de Pedro, que permaneceu internado por quatro dias e passou por uma cirurgia na coluna cervical, após sofrer uma lesão em uma vértebra. A lesão compromete alguns movimentos na região do tronco e dos braços. Atualmente, ele segue em tratamento com fisioterapia e consultas médicas regulares. Segundo ela, existe a possibilidade de que nem todos os movimentos sejam totalmente recuperados. Pedro apresenta dificuldade para elevar os braços e realizar movimentos de pinça, além de enfrentar consequências psicológicas decorrentes do acidente.
Ainda de acordo com a defesa, familiares de Pedro estariam sofrendo ameaças e perseguições, tanto nas redes sociais quanto em locais de trabalho.
Até o momento, não há data definida para a audiência de instrução e julgamento do caso. Existe a possibilidade de Pedro ser submetido ao Tribunal do Júri.
















